
Ilha Grande não tem carros, não tem banco, não tem farmácia fora da Vila do Abraão — e boa parte das praias mais bonitas só se chega de barco. Saber o que levar para o passeio de barco em Ilha Grande muda completamente a experiência: a diferença entre aproveitar o dia e passar horas com fome, sem troco e com celular morto.
Esquecer o repelente em um passeio com parada em trilha tem um custo diferente de esquecer em uma praia urbana. Não ter dinheiro em espécie quando o quiosque da Praia do Aventureiro não tem sinal para a maquininha é outro tipo de problema.
Este checklist foi montado com isso em mente. Ele leva em conta o que o barco já inclui por padrão — e que a maioria das listas ignora —, as regras a bordo que poucos sabem de antemão, e as diferenças práticas entre sair em um iate privativo, uma lancha compartilhada ou uma escuna.
O objetivo é simples: você embarca sem dúvida e sem excesso de bagagem.

Antes de montar sua bolsa, vale saber o que já está garantido a bordo — porque a maioria dos visitantes chega com itens que o próprio barco fornece.
Água mineral é padrão em praticamente todos os passeios de barco em Ilha Grande, seja lancha, escuna ou iate. Você não precisa levar garrafão.
Cooler também é oferecido pela embarcação na quase totalidade dos roteiros. A lógica é simples: o barco tem o cooler, você leva o gelo e a sua própria bebida — em lata ou garrafa plástica — e guarda na embarcação.
Coletes salva-vidas são responsabilidade do operador. A embarcação é obrigada a ter um colete para cada passageiro.
O que varia de um roteiro para o outro é a alimentação. Alguns passeios incluem parada em restaurante ou refeição a bordo; outros não. Snorkel e máscara são fornecidos por alguns operadores e alugados por outros. Confirme com antecedência para não ficar sem — e para não levar o que já vai estar disponível.

O sol no mar é diferente. O reflexo da água amplifica a radiação UV, e você vai passar horas exposto — muitas vezes sem perceber a intensidade porque a brisa ameniza o calor. Use protetor solar FPS 50 ou mais, resistente à água, e reaplicar ao longo do dia não é opcional.
Lembre-se de uma particularidade dos passeios em Ilha Grande: o almoço costuma acontecer no final do roteiro, por volta das 15h ou 16h. Você vai passar a manhã inteira navegando e nadando antes disso. Levar um lanche não é precaução — é necessidade.
Dois pontos críticos e frequentemente subestimados.
Dinheiro em espécie. Não há caixas eletrônicos fora da Vila do Abraão. Quiosques e barracas em praias remotas raramente têm sinal suficiente para maquininha funcionar. Saque antes de embarcar para o continente — o ideal é ter uma reserva em notas menores para trocados em quiosques.
Proteção para o celular. O barco em movimento gera respingo constante, e uma simples queda de maresia é suficiente para danificar eletrônicos. Saquinho plástico resolve mal — invista em uma capa estanque própria para celular.

Esta seção existe porque metade dos problemas a bordo vem de itens que nunca deveriam ter embarcado.
Objetos de vidro. Proibido na quase totalidade das embarcações. Garrafas de vidro, potes e afins não entram.
Perfume ou colônia de cheiro doce. Atrai insetos nas paradas em mata. Pode parecer detalhe; não é.
Mala de rodinha. Mesmo que você vá para a Vila do Abraão antes do passeio, as ruas da vila são de terra batida e paralelepípedo. Mala de rodinha em Ilha Grande é um problema desde o desembarque no cais. Leve o que couber em uma mochila ou bolsa de ombro.
A resposta curta: sim, um pouco.

Iate privativo — o cenário da Navegue Temporada em Ilha Grande — oferece mais espaço a bordo, roteiro flexível e a possibilidade de personalizar alimentação e paradas. Em um iate, você tem mais conforto para levar itens extras, e o dia tende a ser mais estruturado. É a opção ideal para quem quer explorar praias remotas com privacidade e sem depender do roteiro de um grupo.
Lancha compartilhada tem espaço reduzido, área de sombra para no máximo oito pessoas e não tem banheiro. Aqui, a regra é o mínimo necessário — cada item a mais é um item disputando espaço no deck. O lanche vira ainda mais importante porque o almoço é no final.
Escuna tem mais espaço e é mais lenta, o que significa menos respingo e mais tempo em cada parada. Muitos roteiros de escuna já incluem frutas e snorkel. O checklist muda pouco — você vai precisar de menos e vai levar mais conforto pessoal do que itens de necessidade.
Algumas particularidades de Ilha Grande que não aparecem nos checklists genéricos:
Sinal de celular. Funciona bem na Vila do Abraão e na costa norte. No sul da ilha — Praia do Aventureiro, Dois Rios, Parnaioca — o sinal simplesmente não existe. Baixe mapas offline antes de sair do continente.
Sem bancos fora de Abraão. Não existe caixa eletrônico nas praias. Saque no continente, leve notas menores.
Voltagem. A ilha opera em 110V. Se seu carregador não é bivolt, leve adaptador.
Lixo. Ilha Grande é Parque Estadual. Não há coleta nas praias remotas. Leve um saco plástico para trazer seu lixo de volta — é regra e é respeito ao lugar.
Protetor solar biodegradável. Não é obrigação legal, mas a Lagoa Azul e outras áreas de mergulho têm ecossistemas frágeis. Protetores minerais ou biodegradáveis causam menos dano à vida marinha.
Precisa de dinheiro em espécie? Sim. Não há caixas eletrônicos fora da Vila do Abraão, e o sinal para maquininha é instável nas praias remotas. Leve dinheiro do continente.
O que fazer se enjoar no barco? Tome o remédio antes de embarcar — depois que o enjoo começa, a eficácia cai muito. Fique no deck ao ar livre, olhe para o horizonte e evite ler ou mexer no celular enquanto o barco estiver em movimento.
Tem farmácia em Ilha Grande? Uma, na Vila do Abraão. Nenhuma nas praias ou nas vilas menores. Leve o que precisar do continente.